segunda-feira, 4 de junho de 2012

Mudanças na economia brasileira forçam novas estratégias de logística

Para especialistas, processo de logística do Brasil está longe do ideal e precisa ser mudado logo para acompanhar desenvolvimento da população

A ascensão da classe C afeta diretamente o mercado de logística e transportes no Brasil. E o país precisa aproveitar esse nicho em crescimento se quiser ser competitivo. É o que concluíram os participantes do painel “Brasil: um país sem logística?”, no 7º Encontro de Logística e Transportes daFederação das Indústrias do Estado de São Paulo.

“Em 2006, aproximadamente 40 milhões de pessoas migraram das classes D e E para a C”, lembrou Sérgio Biagioli, diretor de logística do Grupo Pão de Açúcar, para quem esse dado não deve ser ignorado quando se fala em mobilidade.

Nelson Fernandes, diretor da Geodis, levantou outro ponto importante relacionado à atual conjuntura do país e que, em sua opinião, influencia diretamente nesta questão: “Quem, há 20 anos, podia imaginar que hoje o Brasil estaria com inflação dominada, juros caindo numa taxa razoável, desemprego numa taxa de 5%?”.

Na visão de Fernandes, existe “uma China dentro do Brasil”. Ele citou como exemplo a região nordeste do país, onde “a gente cresce a 12, 15, 18% ao ano”, argumentando que o desenvolvimento “da nossa China" é muito bom para os negócios. E completou: “Precisamos aproveitar isso”.

Anselmo Riso é da mesma opinião, mas com uma ressalva: o mercado de logística precisa acompanhar o passo do desenvolvimento, se quiser que o país seja competitivo. “Hoje o custo em logística representa, em média, 8,5% do faturamento das indústrias. Há 10 anos, variava entre 6,5 e 7%. Apesar do crescimento econômico do país, nenhum investimento de infraestrutura acompanhou o desenvolvimento”, argumentou.

Logística ineficiente

Para Nelson Fernandes, da Geodis, outras questões devem ser consideradas. Para responder à pergunta levantada no painel – “Brasil: um país sem logística?” –, ele tomou como exemplo o atual sistema rodoviário de transportes. E apontou: “Hoje existem 2,5 milhões de caminhoneiros no país, dos quais 70 mil trafegam pelas estradas transportando 40 toneladas de carga extra. Os caminhoneiros levam essa sobrecarga porque provocamos isso: queremos frete mais barato”. Fernandes foi mais longe: “Duas em cada três mortes no trânsito envolvem caminhoneiro. Isso é um país sem logística”, arrematou.

No entendimento de Sérgio Biagioli, Grupo Pão de Açúcar, o problema não é a falta de logística do país, mas o fato de ser um processo “caro e ainda ineficiente”. Já o executivo da Bosch e diretor de comércio exterior do Ciesp Campinas, Anselmo Riso, acredita que existe, sim, logística nas indústrias de pequeno e grande porte, mas, segundo ele, apenas da porta da fábrica para dentro. “As empresas procuraram reduzir seus custos internos de logística no desenvolvimento de seus profissionais”, concluiu. 

Priscila Della Bella, Agência Indusnet Fiesp


Paulo Skaf no Roda Viva: 'Brasil perdeu sua competitividade'

Em entrevista no programa da TV Cultura, presidente da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP comenta os desafios do desenvolvimento 



Para falar sobre os desafios do desenvolvimento brasileiro em um cenário de crise internacional, entre outros assuntos, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, foi o convidado do programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, exibido ao vivo na noite de segunda-feira (29/05). 

Paulo Skaf analisou como positivas, mas pontuais, as medidas mais recentes da política econômica do governo e reforçou que o Brasil precisa recuperar a competitividade. “As fábricas têm competitividade da porta para dentro, têm equipamentos modernos, mas o problema conjuntural é que prejudica a indústria”.


Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP, no programa Roda Viva, da TV Cultura

O presidente comentou ainda dados sobre a atuação das entidades que preside – inclusive o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Serviço Social da Indústria (Sesi-SP) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP). 

Skaf foi entrevistado por Vera Magalhães, editora da coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo; Sonia Racy, colunista do jornal O Estado de S. Paulo; Miguel Jorge, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Guilherme Barros, colunista da revista IstoÉ; e Pedro Cafardo, diretor-executivo do jornal Valor Econômico. 

Também participou do programa cartunista Chico Caruso. O Roda Viva é apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti. 

Leia alguns dos principais trechos da entrevista:

Juros, dólar e câmbio

“No momento atual dos juros, há uma tendência de queda por parte do governo não só na taxa básica, mas também pressionando o sistema financeiro a abaixar os spreads bancários, o que é positivo. A mudança nas regras da poupança também sinalizou a intenção de continuar reduzindo juros. Na questão dos juros isso é positivo, mas ainda longe de achar que tanto a taxa básica, de 9%, como os spreads bancários, de 25% a 30%, estão adequados”. 

Competitividade

“O Brasil perdeu sua competitividade. Produzir no Brasil hoje é mais caro do que produzir nos Estados Unidos, Itália ou Argentina, e devemos nos concentrar nisso. As fábricas têm competitividade da porta para dentro, têm equipamentos modernos, mas o problema conjuntural é que afeta a indústria. Se trouxermos a indústria estrangeira mais moderna para o Brasil, ela perderá sua competitividade por causa dos juros ainda elevados e pelo câmbio defasado, além do preço da energia elétrica, que é uma das mais caras do mundo. Em 1985, a indústria de transformação era responsável por 27% do PIB, e hoje representa apenas 14%, apesar de pagar 37% dos impostos. Isso é desindustrialização”.

Comércio exterior

“O que interessa ao nosso país é exportar manufaturas. Nosso maior cliente de manufaturados é a Argentina, que comprou do Brasil US$ 23 bilhões em 2011. A Europa toda não chega a comprar US$ 20 bilhões, enquanto os Estados Unidos compram US$ 17 bilhões. A Argentina é o melhor cliente do Brasil, mas passa por dificuldades. Desde 2005 há superávit comercial do Brasil com o país vizinho, mas é preciso um equilíbrio na balança comercial com a Argentina. Precisamos comprar mais dela”.

Educação

“Somados, Sesi e Senai do Estado de São Paulo têm um milhão de alunos, e temos feito investimentos históricos nas entidades. Em cinco anos, mais do que dobramos o total de áreas construídas em escolas. Implantamos ensino fundamental em tempo integral, ensino médio regular e articulado com o ensino do Senai-SP, além de faculdades de tecnologia do Senai-SP. Neste período de meia década adquirimos um milhão de toneladas de equipamentos, temos verdadeiros centros de inovação tecnológica em nossas escolas. No esporte, temos 16 equipes em modalidades de esporte de rendimento. E se há uma contribuição de que a indústria paga com prazer, é a do Sesi-SP e do Senai-SP, ao reconhecimento do bom trabalho realizado e dos resultados obtidos nestas instituições”. 

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Fiesp, Ciesp e Senai anunciam parceria com a USP com foco em inovação

Objetivo é fomentar o tema dentro das empresas, por meio do desenvolvimento de núcleos locais de inovação tecnológica

Mais uma parceria da indústria paulista com a Universidade São Paulo (USP) – o acordo tem a chancela da Federação das Indústrias do São Paulo (Fiesp), do Centro das Indústrias do São Paulo (Ciesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP).

João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp (em pé), ressalta a importância desta parceria 

Em evento na manhã desta quinta-feira (31/05), na sede da Fiesp, o vice-presidente da entidade, João Guilherme Sabino Ometto; o presidente em exercício do Ciesp, Rafael Cervone; e o pró-reitor de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago, anunciaram oPrograma de Extensão Tecnológica Fiesp-Ciesp-Senai e o Curso de Aperfeiçoamento em Gestão da Inovação nas Empresas, da Agência USP de Inovação Tecnológica.

A iniciativa tem por objetivo fomentar o tema dentro das empresas, por meio do desenvolvimento de núcleos locais de inovação tecnológica. Esses núcleos têm o desafio de apoiar e capacitar empresários na busca por informações, financiamentos, análise e estruturação de projetos, até a implantação.

De acordo com o vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, é importante que o Brasil esteja preparado para aproveitar as oportunidades que se abrem com a crise nos países ricos e, por meio da inovação tecnológica, consiga atrair os investimentos e o conhecimento que hoje procuram novos mercados para se desenvolver.


O pró-reitor de pesquisa da USP, Marco Antonio Zago

O pró-reitor de pesquisa da USP, Marco Antonio Zago, ressaltou a importância da aproximação entre a universidade e as empresas. “É um dia para comemorarmos. A universidade é chamada para o importante desafio de trabalhar junto com o setor produtivo, exercendo aquela que é sua função central, a de formar profissionais de qualidade e em quantidade suficiente para atender às novas demandas que existem no país.” 

A parceria anunciada cria três programas: o primeiro vai atender a 240 empresas de diversos setores em seis regiões do estado. O segundo é voltado para o setor de petróleo e gás, beneficiando 400 empresas em dez regiões. Por fim, o terceiro é o Curso de Aperfeiçoamento em Gestão da Inovação, ministrado pela Agência USP de Inovação Tecnológica. Empresários de todas as áreas formam o público-alvo do curso, que oferecerá 500 vagas e terá duração de 204 horas (oito meses). 

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Treinamento: Chefia de Fábrica com Qualidade




Programa
  • A importância do líder na retenção, atração e motivação de equipes.
  • As novas exigências para o supervisor.
  • Planejamento, organização, comando, direção e controle.
  • Planejamento aplicado ao trabalho: como estabelecer metas para sua área de competências e para seus colaboradores.
  • Processo de comunicação – visão sistêmica e de comprometimento.
  • Processo de recrutamento e seleção. Desenvolvido de forma prática para que o líder obtenha sucesso na seleção pelo método da entrevista.
  • Assédio moral. O que é esta nova preocupação inserida na legislação trabalhista.
  • Treinamento e desenvolvimento. O líder como instrutor.
  • Avaliação de desempenho. Método prático e eficaz para não se cometer injustiça neste processo, subsidiando com profissionalismo a promoção e a demissão de subordinados.   
  • Recuperação de talentos na organização.
  • Motivação de pessoas e equipes – como identificar necessidades e estabelecer um ambiente de integração, informação e comprometimento para o alcance dos objetivos pessoais e empresariais.
  • Como delegar.
  • Como manter a disciplina no ambiente de trabalho.
Após este programa de treinamento os participantes deverão ser capazes de:

1-Compreender a importância da organização.
2-Percorrer os passos corretos da delegação.
3-Compreender a importância da boa comunicação.
4-Conhecer os passos de entrevistas disciplinares.
5-Interpretar o básico da legislação trabalhista com competência para administrar conflitos. 


Instrutor

Antonio Marcelo Brandão: professor de graduação e pós-graduação, com mestrado em gestão empresarial e pós-graduado em políticas de recursos humanos. Consultor de empresas que atua nos segmentos industrial, comercial e serviços, onde desenvolve várias pesquisas sobre a relação capital x trabalho. Experiência na implantação de políticas de recrutamento e seleção, avaliação de desempenho, treinamento, remuneração, clima organizacional e auditoria da legislação trabalhista. Ganhou destaque com apresentação de trabalho sobre a Criatividade no Chão de fábrica.

Data: 

- Franca: 04, 05, 11 e 12 de julho - das 19h às 22h30.
- Ribeirão: 23, 24, 25 e 26 de julho - das 19h às 22h30.
- Sertãozinho: 14, 21, 28 de julho e 04 de agosto. - das 8h30 às 12h.

Investimento: 

- R$ 340,00 para empresas associadas ao CIESP; 
- R$ 380,00 para as demais.

Mais informações:

- Franca: 
contato.ciesp@netsite.com.br , 3721-5861, com Heber Pereira.

- Ribeirão e Sertãozinho: balbino@balbinotreinamentos.com.br, 3021-0025, com Roberto Balbino.

Algar Telecom é homenageada como Melhor Empresa de Telefonia Regional


A Algar Telecom, empresa de telecomunicações do Grupo Algar e detentora da marca CTBC, foi homenageada como Melhor Empresa de Telefonia Móvel Regional e Melhor Empresa de Telefonia Fixa Regional durante a cerimônia de entrega do 13º Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente, realizada em São Paulo. 


O prêmio, que é uma promoção da revista Consumidor Moderno em parceria com a consultoria Gfk, visa reconhecer as empresas que possuem a melhor estratégia de clientes em todos os pontos de contato e que buscam a excelência como diferencial competitivo na prestação de seus serviços. O atendimento da Algar Telecom vem sendo reconhecido desde 2008 pela premiação. 

Marcella Reis

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fiesp e Inmetro debatem desafios à competitividade nas indústrias

Programa de capacitação visa assegurar qualidade dos produtos

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) promoveram, na sede da federação, um programa de capacitação do empresariado para o desenvolvimento de requisitos de avaliação da conformidade – considerada, atualmente, uma ferramenta estratégica para a indústria.

Ocorrido nos dias 18 e 19 de abril, o curso contou com representantes de 16 sindicatos e associações, que debateram os desafios de natureza técnica enfrentados pela indústria brasileira para assegurar a qualidade de seus produtos.

De acordo com Leonardo Rocha, chefe substituto da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade do Inmetro, o instituto desempenha um papel estratégico e fundamental na regulação de mercados por meio da Avaliação da Conformidade, alinhado às políticas do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro) e às práticas internacionais.

“O Inmetro visa à promoção da competitividade, concorrência justa e proteção à saúde e segurança do cidadão e ao meio ambiente, tendo como público-alvo os setores produtivos, as autoridades regulamentadoras e os consumidores”, explicou Rocha.

Além disso, ele ilustrou que o Inmetro vem experimentando um aumento significativo, tanto em quantidade, quanto em complexidade, de demandas pelo estabelecimento de Programas de Avaliação da Conformidade.

“Desta forma, entendemos que a capacitação das partes envolvidas neste processo, em especial o empresariado, torna-se fator fundamental para o sucesso desta atividade, proporcionando maior agilidade no estabelecimento destes programas, como forma de dar o retorno esperado pela sociedade", completou o chefe do DPAC do Inmetro.

"A Fiesp acredita que a busca contínua da melhoria da qualidade, em parceria com o Inmetro, possibilitará o aumento da competitividade dos produtos brasileiros, proporcionando uma concorrência mais justa", afirmou Eduardo de Paula Ribeiro, Diretor da Área de Defesa Comercial do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

Barreiras técnicas 

Em complemento aos trabalhos voltados para o mercado interno, a Fiesp e o Inmetro renovaram no início do ano o acordo de cooperação para o monitoramento de barreiras técnicas às exportações brasileiras.

Com validade até setembro de 2015, o acordo busca fortalecer a aproximação entre o setor privado e o governo para identificar e superar obstáculos de natureza técnica prejudiciais às vendas brasileiras ao exterior.

Para o 2º semestre do ano, as entidades pretendem promover outros treinamentos para empresários sobre barreiras técnicas e sobre os serviços de apoio aos exportadores oferecidos pelo Inmetro. 

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Michel Temer conta na Fiesp sua trajetória de perseverança e dedicação

Em palestra a jovens empreendedores, Temer conta sua caminhada na vida política - de 2º tesoureiro do centro acadêmico na faculdade de Direito até a vice-presidência da República



Nascido na cidade de Tietê, interior de São Paulo, em 23 de setembro de 1940, Michel Temer percorreria um longo caminho até chegar à vice-presidência da República.

Aos nove anos cursou datilografia, o que lhe rendeu o primeiro diploma de sua vida. Sempre achou que seria escritor, mas quando foi para São Paulo cursar a Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco, por ser calouro, foi escolhido para ser o candidato a 2º tesoureiro do centro acadêmico da faculdade e foi eleito com grande votação.

Sua trajetória foi tema de palestra na noite de quinta-feira (17/05), atendendo ao convite do Comitê de Jovens Empreendedores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ao Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). 

“Entrei sem querer na atividade política estudantil, e com isso me preparei para ser candidato à presidência do centro acadêmico no quarto ano de curso”, lembrou Temer diante da plateia de aproximadamente 300 pessoas entre empresários, estudantes e membros do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp.


Vice-presidente da República, Michel Temer durante evento na Fiesp

O estudante Michel não foi eleito, mas concluiu o curso. Um de seus professores foi nomeado secretário de Educação do Estado de São Paulo e o convidou para ele ser oficial de gabinete, onde ficou por dois anos. Começou a exercer a profissão de advogado na área trabalhista em um sindicato paulista de vendedores viajantes.

“Ganhava pouco, era uma vida de muita luta, mas com muita dedicação”, descreveu. Em 1969, foi aprovado em concurso para a Procuradoria do Estado.

Outro professor lhe convidou para ser assistente de Direito Constitucional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pouco tempo depois, em razão de uma viagem, Michel Temer o substituiu. “Fiquei trêmulo, mas treinei intensamente. Falei durante toda a aula e ao final fui aplaudido, ganhei entusiasmo na carreira universitária”. Temer passou a conciliar a carreira de procurador do Estado com as aulas que ministrava em Itu (SP). 

Ascensão profissional e política 

Michel Temer contou que um dos professores que conheceu na PUC era Franco Montoro, eleito governador em 1982. Sem abandonar suas atividades, Temer o ajudou na campanha. Eleito, Montoro o nomeou como Procurador Geral do Estado. “Achei que aquele seria o último estágio de minha carreira”, lembra.

Em 1984, o governador Montoro o comunicou que ele seria secretário de Segurança Pública. Em três anos no cargo, Michel Temer criou a delegacia de Defesa da Mulher e conselhos comunitários de segurança. 

Candidatou-se à Constituinte e foi eleito pelo PMDB, na certeza de que ficaria naquele mandato e voltaria às suas atividades. Em 1993, voltou a ocupar o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo a pedido do então governador Luiz Antônio Fleury Filho. 

Em 1994, Temer voltou a Brasília novamente como deputado federal e foi escolhido líder do partido por dois anos. Sequencialmente, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em uma disputa acirrada. “Fiz um mandato conciliador com as tendências, e a visão institucional facilitou minha vida profissional”.

Após três mandatos na presidência da Câmara dos Deputados, foi convidado em 2010 para ser candidato a vice-presidente com a então pretendente à presidência da República, Dilma Rousseff.

“Quando fui convidado a ser candidato a vice da Dilma, eu disse a ela: tenho uma formação democrática e não vou mudar; e ela me respondeu: 'é disso que vou precisar, vamos trabalhar juntos neste sentido'”. 

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Diretor do Deinfra da Fiesp alerta: 'Brasil não tem planejamento logístico'


Carlos Cavalcanti diz que não houve avanços significativos no país desde a 6ª edição do Encontro de Logística e Transportes da Fiesp


   Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp

Leia entrevista do diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, sobre alguns dos temas que estarão em discussão no 7º Encontro de Logística e Transporte. O evento da Fiesp acontece nestas segunda e terça-feira (21/05 e 22/05), no hotel Unique, em São Paulo.

O Encontro de Logística e Transportes chega à sua sétima edição. O que mudou do ano passado para cá? Quais os avanços?
Carlos Cavalcanti - Esse é o problema. Houve poucos, se é que houve algum. Mesmo políticas inovadoras, como a concessão dos aeroportos, estão com erros e procedimentos do ponto de vista do governo federal. Mas o problema central, já levantado pela Fiesp no 6º encontro, exatamente um ano atrás, muito no clima de uma expectativa positiva do início do governo da presidente Dilma Rousseff, ele se viu frustrado. Nossa expectativa um ano atrás era muito grande no sentido de que, quem introduziu o sistema de planejamento no setor elétrico brasileiro foi a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, na reforma editada na passagem de 2003 para 2004. E o setor elétrico brasileiro tem um modelo de planejamento e de gestão considerado extremamente avançado por qualquer país do mundo. 

Quais sãos os avanços do modelo de gestão do setor elétrico?
Carlos Cavalcanti – O setor elétrico brasileiro é capaz – através de sucessivos planejamentos realizados anualmente e que projetam os dez anos seguintes – de estabelecer uma política conjunta para os investimentos na área de energia. É possível prever as necessidades de aumento da oferta de energia do Brasil com anos de antecedência e tomar as ações para antecipar os investimentos, inclusive especificando quais fontes de energia serão responsáveis pelo aumento da oferta, quantas hidrelétricas, eólicas, portanto, quantos megawatts serão incorporados à capacidade da oferta de energia no Brasil. Tudo isso feito de uma forma unificada, controlada. E o setor elétrico brasileiro tem apresentado até folgas em termos de oferta e capacidade de transmissão de energia elétrica e ampliação da malha de distribuição. Como este modelo extremamente sofisticado está em vigor no Brasil já há bastante tempo, há mais de oito anos, era de se esperar que no setor de transportes nós tivéssemos o mesmo. 

Quais são os principais problemas brasileiros na área de transportes?
Carlos Cavalcanti – Vou explicar: o porto não é uma unidade em si, ele tem problemas de acesso. E os acessos aos portos podem ser feitos de duas formas, por rodovia ou ferrovia. Pode até ser por hidrovia, mas é mais difícil. Não se pode falar da ampliação da capacidade portuária e da gestão da operação portuária sem falar do acesso. Não se pode falar da ampliação de um aeroporto sem falar como as pessoas chegam ou saem dos aeroportos. Também é fundamental o problema das estradas e do transporte público para chegar e sair dos aeroportos. Não se pode falar da ampliação da malha rodoviária no Brasil, independentemente de discutir a ampliação da malha ferroviária. O correto a se pensar em uma matriz de transportes é que tanto a coleta de mercadorias como a distribuição sejam feitas pelo sistema mais capilar, o sistema rodoviário. O eixo de transporte de um polo produtor para um polo consumidor tem que ser feito através de modais de transporte que sejam mais eficientes e mais competitivos, e que colaborem com a redução de emissões de gases de efeito estufa (e a própria poluição) porque nossa matriz de transportes está baseada em caminhões.

Cavalcanti: 'O correto a se pensar em uma matriz de transportes é que tanto a coleta de mercadorias como a distribuição sejam feitas pelo sistema mais capilar, o sistema rodoviário'

O que deve ser feito para articular a expansão do sistema?
Carlos Cavalcanti – Seria preciso que os que estão planejando a expansão de malha ferroviária e rodoviária, portos e aeroportos, além de hidrovias, se conversassem e se articulassem como fazemos no setor de energia. O ministério de Minas e Energia, a Empresa de Pesquisa Energética e a Aneel articulam a política de expansão de hidroelétricas, a política de expansão de usinas eólicas, de usinas térmicas, de usinas nucleares, enfim, aquilo que são “os modais de energia”, no caso do Brasil, no planejamento é integrado, e era de se esperar que seria isto a busca da eficiência que nós precisaríamos ter no setor de transportes. 

Então, falta integração dos modais e um planejamento estratégico mais efetivo? 
Carlos Cavalcanti - Falta planejamento para integrar e falta logística. Por isso nós fizemos uma ampla campanha de mídia dos anúncios deste encontro que é “Brasil: um país sem logística?”, para que a gente levante exatamente este problema da falta de planejamento, desta falta de integração. O que nós temos hoje são três ministérios cuidando do assunto no Brasil, algumas secretarias, várias agências reguladoras, e não há racionalidade nisso. Nós fizemos concessão de aeroportos sem discutir a ampliação de acesso a eles. Aumenta-se a capacidade, investe-se nos aeroportos - como nos três concessionados – bilhões de reais para aumentar a capacidade das pessoas chegarem ou partirem de avião. O problema é que as pessoas precisam chegar até o aeroporto. O problema é que as cargas precisam chegar ao aeroporto ou sair dele quando elas chegam por meio do modal aeroviário. E é a mesma situação nos portos. 

Quais são os problemas nos portos?
Carlos Cavalcanti - Um dos painéis desse encontro recentemente realizado aqui em São Paulo, na Fiesp, é “Santos, um porto distante”. Por incrível que pareça, um porto que está a 60 ou 70 quilômetros da capital é um porto de corrida de obstáculos para chegar, por causa dos congestionamentos, das filas, pela ineficiência da infraestrutura, de operação; medidas práticas que a Fiesp tem levantado junto com a Firjan. Temos lá uma infraestrutura de mais de um século no porto de Santos e que funciona oito horas por dia. Porque os órgãos públicos, como Receita Federal, Anvisa e operadores não funcionam 24 horas. Quer dizer, você tem a capacidade com uma simples medida administrativa, que é dar eficiência para que este porto trabalhe, digamos, 16 horas, caso dos grandes portos do mundo que levam a sério seu comércio exterior, que levam a sério a atividade exportadora de sua economia. O navio não pode chegar às 18h10 e ficar esperando até o dia seguinte. E isso, se acontecesse até que não seria tão grave, mas no Brasil os navios esperam dias. E isso acontece porque evidentemente aquele que chegou antes faz a fila, e o porto funciona oito horas por dia. Não há operação de carga e descarga, não liberação alfandegária, não há inspeção sanitária para embarque e desembarque. Então o navio só pode ser carregado ou descarregado das 8h às 18h, e isso gera uma enorme ineficiência. Isso é um desperdício brutal e criminoso da infraestrutura que custou ao cidadão brasileiro construir neste país. Há outras situações como essa, que provocam que a indústria brasileira, absolutamente inovadora, tenha investido no melhor dos meios de produção, do sistema, das máquinas para produzir, ela produz com muita competitividade porque ela tem dentro da fábrica uma preocupação lógica empresarial, que se perde na hora em que se abre o portão da fábrica e a mercadoria começa a percorrer seu caminho para o consumo. Seja no Brasil, seja no exterior.

Quais são os prejuízos decorrentes deste cenário?
Carlos Cavalcanti - São imensos. A ineficiência assim como a corrupção geram prejuízos. Então, a transparência é algo fundamental. Estamos trazendo para este seminário o Tribunal de Contas da União (TCU), que tem tido uma atuação fundamental na fiscalização de obras. Eles vão mostrar números e metodologia, inclusive as mais importantes que são as preventivas, onde um determinado edital de licitação de uma obra em primeiro lugar passa por uma auditoria prévia antes de ser licitado do Tribunal de Contas. Nós vamos apresentar uma compilação de números muito forte no sentido de mostrar o trabalho do TCU que tem sistematicamente baixado o preço das obras, o que evita o desperdício e evita que paguemos mais do que aquilo vale e evite corrupção. Mas há os casos também em que durante a fiscalização, enquanto a obra está acontecendo ou depois de finalizada na sua prestação de contas, o TCU e a própria Advocacia Geral da União (AGU) investigam esses contratos e punem empresas e autoridades que fizeram a má gestão desses recursos.

Cavalcanti: A maior parte dos ativos de infraestrutura (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias) se sustenta por meio de um regime de concessão. A obra não precisa ser feita pelo governo

Qual é a posição da Fiesp sobre o assunto?
Carlos Cavalcanti - O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, publicou recentemente um artigo escrito a quatro mãos com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa, no qual nós do setor privado e da indústria brasileira, representada pela Fiesp e pela Firjan pelos seus presidentes, estamos dizendo muito claramente à sociedade, diante de tudo que estamos vendo, que não adianta só atacar o funcionário público corrompido. Para todo corrompido é preciso haver um corruptor. E evidentemente esse corruptor está no setor privado. E nós não temos nada a ver com interesse de corruptores – esse recado é muito claro da Fiesp e da Firjan, que nós não pactuamos com o crime nem com práticas empresariais que, em última instância, são criminosas perante a sociedade. Este é um ponto que vamos tratar na abertura do 7º Encontro de Logística e Transporte na primeira palestra depois da sessão de abertura, com todas as letras, com toda a transparência, dizendo o compromisso da Fiesp e da Firjan no combate à corrupção que se dá – no caso a ser abordado neste encontro – no setor de infraestrutura do Brasil. 

O combate à corrupção é uma proposta da Fiesp para a melhoria da eficiência e da competitividade?
Carlos Cavalcanti – Sim, e de toda a sociedade brasileira. Todos nós, brasileiros, precisamos dizer não à corrupção. Não é possível construir uma estrada que custe um centavo de real a mais do que o preço justo do seu edital de licitação, não é possível construir um aeroporto, qualquer obra pública. A corrupção é um custo porque é um dinheiro a mais que a gente paga. E este dinheiro sai de onde? Não é da máquina da Casa da Moeda, que imprime o dinheiro. Sai dos impostos que a sociedade recolhe através do recolhimento dos impostos nos salários e de tudo que consumimos. A sociedade brasileira precisa se indignar com a corrupção, precisa estar muito atenta em relação a isso e não admitir práticas duvidosas de nenhum governo, de nenhum dos 26 governos estaduais, de nenhuma das mais de seis mil prefeituras brasileiras e do Governo Federal em seus mais de trinta ministérios. Esta situação é fundamental como alerta para a sociedade. E nós estamos deixando muito claro e esta declaração-compromisso do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi muito clara. Repito: para todo ato de corrupção existe o corrompido e o corruptor. E esse corruptor muitas vezes está no setor privado. Nós, que representamos a parte do setor privado que é a indústria, temos compromisso com o combate à corrupção. 

Com o senhor vê o modelo de concessões no Brasil?
Carlos Cavalcanti – A maior parte dos ativos de infraestrutura (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias) se sustenta por meio de um regime de concessão. A obra não precisa ser feita pelo governo. O governo, que tem o poder de construir esses empreendimentos, pode e deve transferir ao setor privado a responsabilidade do investimento para construir esses novos bens que depois ficam para a sociedade. Mesmo que o investidor construa uma nova estrada, um novo porto ou uma nova ferrovia, ele constrói, explora comercialmente aquilo por um determinado tempo e, depois, no final do contrato no prazo estabelecido, aquilo vem pra sociedade, que retorna para o Estado, para o país, não é mais do empreendedor. Discutiu-se muito no Brasil se nós privatizamos aeroportos, mas a Constituição proíbe a venda de aeroportos, que são bens públicos no Brasil. Ninguém vendeu o aeroporto, ninguém vendeu “fatias” da Infraero, o que fizemos foi uma concessão por um tempo limitado. O aeroporto de Guarulhos foi concessionado por 20 anos, o aeroporto de Brasília por 25 anos e o de Viracopos, 30 anos. Tempos diferentes. Significa que esses novos concessionários vão administrar esses empreendimentos e depois vão embora, como acontece no caso das hidrelétricas, da energia. Esses projetos, para serem construídos e administrados, quanto menos interferência do governo como investidor e como gestor, melhor é para o Brasil, porque os impostos que arrecadamos, em vez de construir portos e aeroportos, vão para a construção de escolas, hospitais, remunerar policiais na rua que cuidam da nossa segurança. Vão construir bibliotecas, teatros, outros equipamentos necessários à vida; preservar parques, implementar áreas verdes nas cidades. Nós queremos um governo forte na regulação para estabelecer regras. Não se faz duas rodovias paralelas para haver concorrência no preço do pedágio, isso não acontece. De São Paulo ao Rio de Janeiro você faz uma, de São Paulo ao Paraná você faz outra, de Curitiba a Florianópolis faz outra. O setor de infraestrutura opera naquilo que se chama monopólio natural e, quando se transfere a gestão para o setor privado, é preciso tomar cuidado porque ele vai querer o maior lucro possível, e é preciso controlar esse apetite pelo lucro do setor privado, estabelecendo a defesa do consumidor, que é estabelecendo tarifas e preços para a utilização dos serviços que não sejam abusivos. É preciso saber se aquele plano de investimentos, que foi comprometido, que foi acertado no momento de uma concessão, está acontecendo, na qualidade e no prazo em que foi combinado. Então há um enorme espaço para o governo no sentido de governar, no sentido de regular, no sentido de disciplinar e controlar. O governo não precisa ter empresas estatais para operar rodovias ou para construir portos e aeroportos. 

Qual sua analise sobre a recente concessão dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Campinas? 
Carlos Cavalcanti – Fizemos a forma correta que foi passar a gestão dos aeroportos para a iniciativa privada com uma mudança grave e ruim: ao contrário do setor elétrico, ao contrário do que se fez em rodovias federais no Brasil, inclusive quando o setor elétrico era comandado pela então ministra Dilma Rousseff e quando a modelagem da concessão de rodovias foi definida por ela, a adoção do critério de menor tarifa que ela então colocara agora foi abandonado nos aeroportos. Isso preocupa demais a Fiesp. Quem viu nos jornais notícias sobre o ágio no leilão lembra o quanto se ofereceu a mais do preço mínimo do preço dos aeroportos. Esse é um dinheiro que encarece o serviço e que vai ser arrecadado pelo Estado. Quanto maior o ágio, mais caro fica o serviço para o usuário. Este ágio é o que o governo recolhe pela cessão. Agora, como é que funciona no setor de energia e como é que funciona quando se faz pedágio por menor tarifa? Coloca-se no leilão outro critério: na operação do aeroporto, qual é a menor tarifa que vai ser dada ao cidadão que está embarcando e para a pessoa que precisa operar ou desembarcar uma carga? Percebe-se uma diferença brutal. Aqui quem ganha com a menor tarifa é toda a sociedade, é o usuário. Lógico que o governo errou e nós vamos discutir. Porque é um imposto disfarçado. Só o governo arrecada, a população não se beneficia. Então, quando isso acontece, contribui-se para aumentar o custo de produção e de operação na economia brasileira. Em vez de ter uma rodovia mais barata, vai haver uma ferrovia mais cara, um porto mais caro. Isso não é do preço do produto, isso diminui a capacidade de consumo e da própria competitividade do Brasil em relação a outros países do mundo.

Cavalcanti: 'Os investimentos em infraestrutura no Brasil são inferiores ao aumento da demanda porque não há planjeamento'

E como está o Brasil com relação à infraestrutura, em comparação a outros países?
Carlos Cavalcanti - Depende do país. Em relação aos países mais desenvolvidos, nossa infraestrutura é péssima. Comparando com alguns países muito mais pobres que o nosso, a infraestrutura do Brasil é adequada. Compare internamente a infraestrutura que existe em São Paulo com a de outros estados do Brasil. Em geral o Brasil tem, em um índice de 1 a 5 do Banco Mundial, um número de infraestrutura pouco abaixo de 4, que é um bom status. O Brasil tem infraestrutura, o problema é o investimento da infraestrutura brasileira foi feito muito concentrado nos anos 70 e 80, depois disso entrou num processo enorme de estagnação de investimentos por falta de investimento do Estado, que não teve a capacidade de partir para um processo de concessões. Quando esse processo começou a deslanchar no final dos anos 90, algumas situações melhoraram.

Os investimentos são inferiores ao aumento da demanda?
Carlos Cavalcanti – Sim, são inferiores porque não tem planejamento. Imaginem se descobríssemos em 2017 que nós não tínhamos feito as usinas para garantir a energia elétrica para o consumo do Brasil neste ano. O que iria acontecer? Ficaríamos às escuras, haveria racionamento de energia como tivemos em 2001 e 2003. Às 18h, apaga-se a luz, desliga-se a televisão, param a fábrica para racionar energia para o brasileiro tomar banho quando chega em casa. O Brasil, nas projeções da FAO (Food and Agriculture Organization), terá que dobrar a produção de alimentos até 2050 para dar comida à população mundial, que será de 9 bilhões de habitantes. E o único país que tem as três condições – território, água e clima – é o Brasil. O que vai acontecer com a logística brasileira se não atentarmos a isso? Não adianta só a fazenda produzir a soja, por exemplo. E daí? O que fazemos no Brasil hoje?

Como é a situação atual no transporte dessa produção?
Carlos Cavalcanti – Produzimos soja no coração da América do Sul, na nossa fronteira com Bolívia e Paraguai, no centro-oeste brasileiro, e exportamos soja via caminhão descendo até o estado do Paraná, no sul do Brasil, para exportar pelo porto de Paranaguá. Nós somos loucos! A soja dá a volta pelo sul do continente, desce a costa brasileira, desce o litoral da Argentina, passa do Atlântico para o Pacífico, e começa a subir de novo até o Chile para embarcar para os mercados da Ásia. Do coração da América do Sul, no centro-oeste brasileiro, estamos a 1.000 quilômetros em linha reta dos portos do Chile e do Peru, e não temos uma rodovia ou ferrovia que nos una. Obviamente que estamos trabalhando com outros países da América do Sul, fizemos recentemente um seminário importantíssimo. Então, essa volta toda que se dá somam 7.000 quilômetros, quando a distância poderia ser sete vezes menor. Isso é logística, é pensar no escoamento da produção brasileira. Será que o número de passageiros entre São Paulo e Rio de Janeiro vai aumentar também? Muito provável que sim. E será que paulistas visitarão o Rio de Janeiro e vice-versa? É possível prever, como é que se encara este problema? Precisamos de mobilidade. O quanto podemos aumentar a capacidade de pousos e decolagens entre Rio e São Paulo? Nada. Quantas pistas é possível aumentar nas rodovias Ayrton Senna ou Dutra? Mas isso, o ministério dos Transportes não fala com a ANTT, o porto não fala com o aeroporto, e aí não se tem esse planejamento no Brasil. E esse é o alerta da Fiesp. 


Edgar Maciel, Agência Indusnet Fiesp

Núcleo de Jovens de Franca participa de palestra com Michel Temer


O vice-presidente da república, Michel Temer, aceitou o convite feito pelo Comitê de Jovens Empreendedores (FIESP) e do Núcleo de Jovens Empreendedores (CIESP) para proferir uma palestra sobre sua trajetória profissional.

Falou sobre a importância da dedicação em tudo o que o profissional se propõe a fazer.  Além disso, contou sobre a vida de professor universitário, secretário de segurança pública, presidente da Câmara e como chegou à vice-presidência. De acordo com Temer, em todas estas fases, nunca deixou de lado o sonho de se tornar escritor de outros tipos de livros diferentes daqueles já escrevera.

Após a palestra, os jovens tiveram a oportunidade de trocar cartões em um coquetel onde pairava o entusiasmo pelo sucesso de mais um evento.

A região foi representada por jovens do Núcleo de Franca e pelo vice-diretor de Ribeirão Preto, Guilherme Feitosa (IRBO - Indústria de Borracha).
Roberto Balbino, Guilherme Martori, Edgar Ajax,
 Fábio Meirelles Neto e Heber Pereira.

Executivos estudam a gestão dos estoques em Franca




Executivos de empresas do setor coureiro calçadista, lingerie, transportes e cosméticos participaram do treinamento sobre Gestão de Estoques e Armazenagem ministrado por Carlo Luigi Bergamini.

Este é o quarto encontro dos seis que compõem o programa de estudos sobre o gerenciamento da cadeia de suprimentos.

No próximo sábado, Luigi apresentará o módulo Gestão de Transportes e, no seguinte, Gestão de Pessoas com foco em Logística. Ambos na cidade de Franca, com início às 8h30 e término às 12h.

Para saber mais sobre estes módulos os interessados deverão enviar um e-mail para contato.ciesp@netsite.com.br ou pelo telefone (16) 3721-5861 com Heber Pereira.

Treinamento - Gestão de Transportes


Programa:


- Atacadistas e intermediários;

- Conceito de Custo Total - Transporte de cargas no Brasil;

- Gestão estratégica de transportes - Escolha de modais;

- Frota própria ou de terceiros? Qual a melhor opção?;

- Roteirização;

- Logística Reversa: visão geral;

- A importância das Embalagens dos Produtos;




Instrutor: 


Carlo Luigi Bergamini

Engenheiro Mecânico e de Produção, leciona em cursos de pós-graduação de instuições renomadas. Foi responsável pelas operações logísticas de grandes empresas (Votorantim, Martins) e, atualmente, é diretor da Sigmed Equipamentos Hospitalares

Local: CIESP Franca - Av. Paulo VI, 470 Parque dos Lima

Data: 26/05 - Sábado

Horário: 8h30 às 12h.

Investimento: R$ 80,00 para empresas associadas e R$ 120,00 para as demais.

Inscrições com Heber Pereira pelo telefone 3721-5861 ou contato.ciesp@netsite.com.br